Mostra em NY começa neste domingo e vai até maio
Divulgação
O diretor do museu Scott Rothkopf apresentou essa semana à imprensa “Like New”, a nova mostra dedicada a Roy Lichtenstein no Whitney Museum, em Nova York, que vem sendo preparada há anos. Foi em 1965 que o artista apresentou, pela primeira vez, nesse museu (em outro prédio, que ficava na rua 54).
Isso faz com que Lichtenstein tenha tido mostras em três dos quatro prédios que o museu já ocupou. Em 65, ele participou da primeira exposição anual do Whitney, da qual participou de mais cinco edições, além de três bienais, e 60 exposições coletivas organizadas pelo museu.
Em 2018, Dorothy Lichtenstein, viúva dele, procurou o museu para um projeto cuidando do legado do artista. Além da doação de mais de 400 obras de arte à coleção (incluindo estudos, materiais e trabalhos), o museu também recebeu de presente a casa e o ateliê dele (pertinho do museu), que passou por uma renovação completa para se tornar a sede permanente do renomado Independent Study Program (ISP) que oferece residências não só para curadores mas também artistas, historiadores da arte e críticos.
‘Se achar artista com IA é como se achar chef pedindo iFood’
Calainho quer levar Blue Note a Zurique e Miami
Parte do combinado entre Dorothy e o museu também incluía uma exposição em 2023 marcando o centenário dele. Por conta da pandemia, essa homenagem foi atrasada e chega agora ao museu nova iorquino. A última grande exposição dedicada a ele em NY aconteceu em 1993 no museu Guggenheim. Por isso, essa mostra de agora tem sido considerada histórica.
Esse momento também é importante para o museu porque marca o fato de que nos últimos três anos o público que frequenta o museu passou por uma mudança radical. O Whitney Museum se tornou um dos museus “mais gratuitos” dos Estados Unidos entre os que cobram ingressos. O museu é agora gratuito toda sexta-feira à noite, todo segundo domingo do mês e para todos os visitantes de menos de 25 anos (esse último, graças a um presente dado pela artista Julie Mehretu).
“Muito antes da era digital, ele compreendia que as imagens nunca são estáticas”
Gisela Gueiros
Mais de 900 mil pessoas visitaram o museu nos últimos três anos graças a esses programas. A idade média dos visitantes caiu em oito anos e a diversidade do público cresceu. Uma das ênfases nesse momento é acolher esse público e pensar em apresentar Lichtenstein sob novas lentes a esses jovens e apaixonados por arte, sejam nova iorquinos ou turistas do mundo todo.
“Like New” reúne trabalhos históricos, recria exposições icônicas (como a da galeria Leo Casteli), apresenta murais, pinturas, desenhos, filmes e gravuras, além de uma pesquisa minuciosa sobre a obra do artista. Com curadoria impecável de Meg Onli e do artista Alex da Corte, a mostra ilumina as criações desse artista que de tão onipresente e copiado, se torna fácil de ignorar. Um dos focos da dupla foi relacionar os trabalhos de Lichtenstein com os dias de hoje.
Ganhei um piano, escreve Maria Homem
Dois livros para adentrar o mundo do jazz
O artista foi pioneiro na percepção de como as imagens circulariam na era digital, de forma rápida, com apropriações de histórias em quadrinhos, jornais e imagens cimerciais, duplicatas (alô, reposts!), imagens acompanhadas de textos curtos (alô, memes!) reconfigurando e refinando suas composições antes de ampliá-las e transferi-las para a tela.
A repetição comum a seu trabalho também sugere compartilhamentos excessivos (diluindo a força da autoria) ressaltando a superficialidade das informações.
Com um trabalho visual frio e mecânico, embora sempre feito à mão, Lichtenstein subverteu as noções convencionais do que era na época considerado arte. A influência dele em gerações mais novas também aparece na mostra que inclui trabalhos de artistas como Raymond Pettibon e Sturtevart.
O artista da Ceilândia que surpreendeu a Sotheby’s
Nara Roesler prepara uma rara sucessão na arte
Ambos replicaram descaradamente a obra de Lichtenstein (e outros artistas) como parte de sua poética. Pettibon chegou a conseguir que Lichtenstein assinasse o verso de uma de suas réplicas e à Sturtevant, o artista teria dado a máscara da serigrafia para que a reprodução dela ficasse perfeita.
Segundo os curadores, “em uma era em que imagens são incessantemente geradas, copiadas, alteradas, filtradas e republicadas em telas, a arte de Lichtenstein revela-se surpreendentemente premonitória e notavelmente relevante. Muito antes da era digital, ele compreendia que as imagens nunca são estáticas: elas circulam pelo mundo e retornam transformadas.
LightWire vira dona do show com ‘Cirque du Soleil tech’ no Rock in Rio
A cada nova iteração, elas se renovam”. O artista e co-curador Alex da Corte recriou um mural monumental de um pôr-do-sol que foi instalado na ala Oeste do museu diante de uma janela que dá para o Rio Hudson. Como que num gesto perfeito homenageando as repetições típicas de Lichtenstein, a instalação faz com que, diariamente, os visitantes do museu possam testemunhar dois sóis se pondo.
A mostra começa neste domingo, 11 de outubro, e vai até 10 de maio.
Roy Lichtenstein ganha mostra histórica no Whitney Museum em NY







