Pandas de presente, uma estátua gigante de uma águia, alguns dos homens mais ricos do mundo reunidos em uma mesma sala e um convite do presidente dos Estados Unidos para terminar a noite visitando um canteiro de obras. Esses foram alguns dos ingredientes do jantar de Estado oferecido por Donald Trump ao presidente chinês, Xi Jinping, na Casa Branca, na noite de quinta-feira (24).
Presidentes dos EUA e China durante jantar de Estado
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O evento reuniu uma concentração incomum de poder político, econômico e tecnológico. Elon Musk, Sam Altman, Jensen Huang, Jeff Bezos, Mark Zuckerberg e Tim Cook estavam entre os convidados, segundo o The New York Times. Na mesa principal, Trump e Xi jantaram à luz de velas acompanhados, entre outros, por Musk, Huang e Cook.
A presença dos executivos também colocou sob o mesmo teto alguns dos principais protagonistas da corrida global pela inteligência artificial, em meio à disputa tecnológica entre Estados Unidos e China. Ainda assim, houve uma ausência curiosa no discurso de Trump: segundo o NYT, o presidente americano não mencionou IA nenhuma vez.
O momento mais inusitado veio quando Trump resolveu abandonar temporariamente o discurso preparado. “Se eu puder sair do roteiro só por um segundo”, disse o presidente. Depois de criar suspense diante dos convidados, Trump revelou o que tinha em mente: queria levá-los para conhecer uma obra. “Gostaria de convidar todos na sala para passar por aquela bela cortina nos fundos”, afirmou. Atrás dela estava o acesso ao local onde está sendo construído o novo salão de baile da Casa Branca.
Sam Altman e Mark Zuckerberg durante o jantar
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Trump disse a convidados como Bezos, Zuckerberg e Altman que eles poderiam ser as primeiras pessoas a pisar no espaço e sugeriu fazer a visita depois do entretenimento programado para a noite. O presidente também aproveitou a ocasião para falar sobre o tamanho do futuro salão. Segundo ele, o ambiente onde acontecia o jantar comportava cerca de 145 pessoas. Se o novo espaço já estivesse pronto, afirmou, seria possível receber “bem mais de mil pessoas”, inclusive com convidados em pé.
“Qualquer um que queira entrar em um canteiro de obras que está bonito, limpo e brilhando, será uma honra recebê-lo”, disse Trump.
De pandas a uma águia gigante
O jantar teve outra sequência incomum: a troca de presentes entre os dois países. Xi anunciou que a China enviará dois pandas-gigantes aos Estados Unidos. Os animais, chamados Ping Ping e Fu Shuang, deverão viver no zoológico de Atlanta. Trump retribuiu com um presente de forte simbolismo americano: uma grande estátua de uma águia-careca.
Águia que Trump deu de presente ao governo chinês
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“Esperamos que encontre um bom lugar, um lugar maravilhoso, em Pequim”, disse Trump ao apresentar o presente. Os pandas fazem parte de uma tradição diplomática chinesa que ficou conhecida como “diplomacia dos pandas”, na qual o país envia os animais a zoológicos estrangeiros como parte de relações de cooperação.
O passeio pela construção do salão de baile não foi a única vez em que arquitetura e obras da Casa Branca entraram na programação da visita. Mais cedo, Trump levou Xi para conhecer um novo heliponto e a entrada reformada da residência presidencial.
Durante o passeio, Trump chamou atenção para um detalhe bastante específico: as pedras usadas no local. “Ele é um especialista em pedras, além de muitas outras coisas, e adora um bom granito”, disse Trump aos jornalistas sobre Xi, segundo o NYT. A cena combinou com o tom de parte da visita. O jornal descreveu Trump como particularmente interessado na decoração e nos detalhes físicos preparados para receber o presidente chinês.
Tim Cook, ex-CEO da Apple, durante o jantar
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E a inteligência artificial?
Apesar da lista de convidados, a inteligência artificial não apareceu no discurso de Trump. Era uma ausência especialmente chamativa diante de quem estava na sala. Jensen Huang comanda a Nvidia, principal fornecedora de chips para o atual ciclo da IA; Sam Altman lidera a OpenAI; Elon Musk controla a xAI; Mark Zuckerberg dirige a Meta; Jeff Bezos é fundador da Amazon; e Tim Cook liderou a Apple por anos.
Segundo o NYT, não houve indicação pública de que os executivos americanos e integrantes da liderança chinesa presentes tenham aproveitado o encontro para chegar a algum entendimento conjunto sobre os rumos da tecnologia. Trump preferiu concentrar suas falas públicas no jantar, na relação com Xi e, principalmente, no novo salão de baile.
Até o cardápio foi desenhado para carregar referências à relação entre Estados Unidos e China. Antes do jantar, os convidados receberam Schramsberg Blanc de Noir. A escolha fazia referência ao chamado “Toast to Peace”, o brinde realizado pelo então presidente americano Richard Nixon e pelo primeiro-ministro chinês Zhou Enlai durante a histórica viagem de Nixon à China, em 1972.
Donald Trump recebeu o governo chinês em jantar na Casa Branca
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A entrada foi um velouté de abóbora amarela acompanhado por cogumelos, pancetta crocante e óleo de cebolinha. No prato principal, os convidados receberam robalo com crosta de gergelim, acompanhado de bok choy, berinjela assada e molho de ervas.
A sobremesa trouxe outra curiosidade da noite: um crémeux de baunilha com cereja azeda e nozes, acompanhado por sorvete preparado com mel produzido na própria Casa Branca.
Vermelho por todos os lados
A decoração também procurou incorporar referências chinesas. O vermelho, cor de forte importância cultural na China e tradicionalmente associada a prosperidade e boa sorte, apareceu nas mesas e nos arranjos. A Casa Branca utilizou toalhas vermelhas e flores como dálias e ranúnculos na composição do ambiente.
No jantar oferecido por Trump, havia muitos detalhes em vermelho, como a toalha de mesa, em referência à China
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A programação musical teve como atração principal o tenor Christopher Macchio, além da participação de músicos ligados ao Corpo de Fuzileiros Navais e ao Exército dos Estados Unidos. O jantar aconteceu depois de um dia de cerimônias para receber Xi e sua mulher, Peng Liyuan. A programação preparada pela Casa Branca ainda mobilizou centenas de militares e incluiu uma demonstração aérea com caças F-22 Raptor.
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