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A gênese da The School of Life: colaboração e generosidade fizeram dar certo

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A gênese da The School of Life: colaboração e generosidade fizeram dar certo

Toda escola tem uma origem. A unidade do Brasil da The School of Life, se eu for honesta, não começou num plano de negócios. Começou numa amizade. Em 2013, Diana Gabanyi e eu decidimos trazer para o País uma ideia que nos parecia urgente: a de que a vida emocional também se aprende. Que ninguém nasce sabendo amar, trabalhar, lidar com a frustração, conversar sobre o que dói ou liderar outras pessoas sem se perder de si. E que, se a escola tradicional nos ensinou tanta coisa, quase nada nos ensinou sobre isso.

Olhando para trás, percebo que a gênese da nossa escola é, na verdade, a gênese de qualquer vida. Uma história de tentativa e erro, euforia e desespero, autoconfiança e crise de identidade, inspiração e vazio, calma e medo, sucesso e fracasso, risada e choro, muitas vezes no mesmo dia. Aristóteles dizia que a boa vida está no meio-termo, entre os extremos. Ah, claro… Fácil de escrever, difícil de viver.

A colaboração generosa como fundação

Se tem uma coisa que sustentou nossa escola nos dias difíceis foi a forma como Diana e eu escolhemos trabalhar juntas. Não como sócias que dividem tarefas, mas como duas pessoas que se permitiram ser incompletas uma diante da outra.

Colaborar com generosidade é aceitar que a outra pessoa vai ver o seu pior (o cansaço, a dúvida, a irritação de uma terça-feira qualquer) e continuar ali. É celebrar o acerto dela sem contabilidade. É dizer “não sei” sem medo de perder autoridade.

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Digo isso porque vejo, em tantas empresas, equipes que funcionam bem no papel e mal na alma. Pessoas competentes que não confiam umas nas outras o suficiente para errar em voz alta. E, sem esse espaço, não há aprendizado, só performance. Para o RH, essa talvez seja a primeira lição: cultura não é o que está escrito na parede. É o que acontece quando alguém admite que errou.

As dores (pouco faladas) de empreender

Existe uma narrativa que se repete sobre empreendedorismo: a do visionário incansável, que acorda às cinco da manhã, nunca duvida e transforma cada obstáculo em oportunidade. Eu nunca conheci essa pessoa. O que conheci (em mim, na Diana e em tantos empreendedores que passaram pela nossa escola) foi outra coisa.

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Noites sem dormir por causa do caixa. A solidão de tomar decisões que afetam a vida de outras pessoas. A sensação recorrente de ser uma fraude. O luto por projetos que não deram certo. A culpa por não estar presente em casa. A exaustão de ter que parecer confiante quando, por dentro, tudo é questionamento.

Empreender é, em grande parte, conviver com a incerteza sem ter onde se esconder dela. E, ainda assim, aprendi algo que gostaria de dizer a quem está começando, ou a quem está pensando em desistir: vale mais fazer do que ser.

Não precisamos nos tornar “o” empreendedor, essa figura idealizada que nos paralisa pela comparação. Precisamos apenas continuar fazendo. Abrir a porta mais uma vez, dar mais uma aula, ligar para mais um parceiro, tentar de novo amanhã. A identidade vem depois, se vier. O que importa é o gesto.

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Ninguém sabe, nem quem diz ter certeza

De tudo o que vivi nesses anos, o aprendizado mais importante foi que ninguém sabe. Especialmente aqueles que dizem ter certeza. Vivemos uma enorme crise de identidade, uma falta profunda de chaves para interpretar a própria vida. E, na busca por direção, ficamos muito impressionados. Já vi pessoas se encantarem por especialistas em autoajuda se acotovelarem por um autógrafo do palestrante da noite, como se ali estivesse a resposta definitiva.

Mas os pensadores mais sérios, e é com eles que gostamos de trabalhar na The School of Life, não querem ser estrelas nem gurus. Eles são os primeiros a dizer que os pensamentos que oferecem são apenas perspectivas. Por mais bem construída que seja, não é a verdade. É uma forma de enxergar a realidade.

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Essa humildade é, para mim, o coração da The School of Life. Não oferecemos fórmulas. Oferecemos ideias, perguntas, repertório (da filosofia, da literatura, da psicologia, da arte) para que cada pessoa possa pensar melhor sobre a própria vida. A resposta continua sendo construída individualmente por cada pessoa que entra em contato com os nossos conteúdos e as nossas experiências, seja o público em geral ou grupos de profissionais.

O que isso tem a ver com o RH

Tudo. O RH brasileiro vive um momento decisivo. A atualização da NR-1, que passa a exigir a gestão dos riscos psicossociais no trabalho, colocou a saúde mental oficialmente na agenda das empresas. Isso é uma conquista. Mas também traz um risco: o de transformar o cuidado emocional em mais um checklist, mais um treinamento obrigatório.

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É imprescindível considerar que não existe atalho quando o assunto é gestão de pessoas. Iniciativas padronizadas podem até apoiar o RH em momentos pontuais. Mas é a personalização das ações que permite compreender e transformar a realidade dos líderes, da equipe e do ambiente de trabalho.

Porque gente não se conserta; gente se compreende. Educação emocional é um aprendizado contínuo, não um evento. É um repertório que se constrói com tempo, prática e conversa. Demanda a criação de espaço para a vulnerabilidade — começando pela liderança. Pois equipes só se permitem errar quando veem seus líderes fazendo o mesmo. O líder que diz “não sei” dá permissão para que todos aprendam mais.

Tão importante quanto tudo isso, é preciso lembrar de cuidar de quem cuida. E, aqui, eu não me refiro apenas a quem ocupa cargos de liderança. Refiro-me também aos profissionais de RH, time que carrega o peso emocional de demissões, conflitos e crises. Eles também precisam de lugar para respirar.

Empatia com quem lidera

Na The School of Life, entendemos que as empresas devem ter um cuidado especial para que nenhum profissional sofra com cobranças excessivas, humilhações, assédio, sobrecarga ou inseguranças. Mas, como observamos os contextos também pela perspectiva da psicologia e filosofia, temos uma enorme empatia por quem ocupa posições de liderança. Reconhecemos que, por trás de cada líder ou liderado existe um ser humano. E, quanto mais ascendemos na pirâmide organizacional, mais solitários são os dias, principalmente em momentos críticos.

O líder de hoje é cobrado para ser estratégico e humano, firme e acolhedor, decidido e aberto à escuta. Espera-se que ele cuide da saúde mental da equipe enquanto, muitas vezes, ninguém pergunta como está a dele. Não é à toa que tantos estão esgotados.

Não acreditamos em líderes perfeitos. Acreditamos em gestores conscientes das próprias imperfeições, que conhecem seus gatilhos, reconhecem seus limites, pedem ajuda e tratam os outros como gostariam de ser tratados nos seus piores dias. Liderar bem, no fim, é uma forma de maturidade emocional. E essa é uma das habilidades mais desafiadoras mesmo para aqueles que já têm muito tempo de carreira.

Seguir fazendo

Treze anos depois daquela primeira conversa com a Diana, continuo sem certezas. Mas tenho algo que, hoje, valorizo mais: companhia, propósito e a convicção de que vale a pena continuar. E se eu pudesse resumir o que essa escola me ensinou, diria: seja gentil com a sua própria história, inclusive com as partes de que não se orgulha. Trabalhe com pessoas generosas. Desconfie de quem tem todas as respostas.

E, nos dias em que tudo parecer grande demais, lembre-se de que não é preciso ser extraordinário. Basta seguir fazendo, um dia de cada vez, de preferência acompanhado.

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